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22 de Outubro de 2019

Ensaios sobre o suicídio institucional

O dia em que o Ex-PGR sequer precisou atirar para acertar o próprio Ministério Público

Pedro Nilson Moreira Viana, Bacharel em Direito
há 25 dias

26/09/2019 entra para história nacional como o dia no qual o Ex-Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, afirmou já ter preparado um plano para assassinar friamente o ministro do STF, Gilmar Ferreira Mendes.

Esse mesmo dia entra também para a história como o dia em que o Ministério Público ficou de joelhos diante de tamanha insanidade e covardia.

A esta altura, todos já sabem ou pelo menos deveriam saber das declarações as quais me refiro.

Se ainda não, segue um resumo:

"Em entrevistas reveladas nesta quinta-feira (26), o ex-PGR contou que, em 2017, sua relação com o ministro do STF tornou-se tão conflituosa que ele chegou a ir armado ao tribunal para matar o ministro.

“Não ia ser ameaça não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele e depois me suicidar”, disse Janot ao Estadão. O conflito atingiu a temperatura máxima quando Janot tentou impedir Gilmar de atuar num processo envolvendo o empresário Eike Batista.

Janot alegou que Gilmar estava impedido de julgar o caso porque sua esposa, Guiomar Mendes, trabalhava no escritório de advocacia que defendia Eike.

Em seguida, surgiram notícias que acusavam a filha de Janot de ser advogada de empresas envolvidas na Lava-Jato. O ex-procurador-geral acusa Gilmar de ter inventado essa história.

O fato o teria deixado tão abalado que ele planejou matar Gilmar em pleno STF. Os dois chegaram a se encontrar na antessala do Tribunal. Janot diz que foi “a mão de Deus” que o impediu de puxar o gatilho." (FONTE: https://exame.abril.com.br/brasil)

As declarações sacudiram o país com um leve tom de perplexidade - coisa até mesmo distinta para as atuais circunstâncias da política brasileira.

Porém, o que realmente me chamou atenção para as declarações não foi exatamente o fato de configurarem (ou não) algum tipo de delito. (Como sabemos, atos meramente preparatórios não são puníveis pelo direito brasileiro).

Tampouco chamou minha atenção a covardia e a sordidez de uma mente claramente instável capaz de planejar minuciosamente a morte de uma das maiores autoridades da República.

O que realmente me deixou intrigado é o fato de que estas declarações se dão em um contexto completamente deslocado do momento. (Talvez nem tão deslocado quando possamos pensar).

É que apesar de ter planejado a morte de Gilmar Mendes em 2017 - quase 2 anos antes desta exposição, o Ex-PGR COINCIDENTEMENTE prepara o lançamento de um livro (que nem mencionarei o título para não lhes aguçar a curiosidade).

Isso é ao mesmo tempo tão grave quanto ridículo.

Claramente as declarações completamente fora de contexto são uma tentativa triste de peça publicitária. Não é a toda que todos os portais de notícia mencionam que Janot planeja em alguns dias o lançamento de um livro que promete "contar segredos de bastidores" de sua atuação no Supremo.

Ocorre que se realmente peça publicitária for, ela promoveu mais danos colaterais do que potenciais compradores (kkkkkk). Isso principalmente porque o desequilíbrio mental foi alvo de críticas dos próprios colegas de Ministério Público - o grande alvejado de toda história.

É preciso muito saber nesse momento distinguir, apesar de difícil, a figura da PGR da de seu ex-chefe. O Ministério Público conta com quadros de muita qualidade e realmente não merece ser associado à este episódio patético..

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